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11 abr, 201619 | Blog » Para o Seu Bebê

Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil: Um estudo a partir da Clínica Psicanalítica.

          

O aumento significativo do número de crianças diagnosticadas com alterações no desenvolvimento, nas ultimas décadas, vem levando profissionais de várias áreas a debruçarem-se no fomento de pesquisas em direção da elaboração de instrumentos de avaliação e de técnicas de intervenção precoce. Todavia, até recentemente vivíamos no Brasil a carência de instrumentos compatíveis com a realidade nacional capazes de diagnosticar precocemente transtornos mentais.

Nesse panorama, uma extensa pesquisa foi empreendida a fim de desenvolver um protocolo que pudesse auxiliar o clínico a observar sinais de risco psíquico nos primeiros 18 meses de vida.

O estudo dos Indicadores de Risco do Desenvolvimento Infantil – IRDI  foi composto por uma amostra de 727 crianças e contou com a cooperação de 11 serviços de saúde, distribuídos em 9 cidades brasileiras (incluindo Belém, sob a coordenação da Dra. Léa Sales). A pesquisa foi realizada no período entre os anos 2000-2008 e teve como base a teoria psicanalítica. A partir de então foi construído um protocolo de registro, no qual constam  31 indicadores de risco para alterações no desenvolvimento voltados a bebês de 0 a 18 meses que foram acompanhados em consultas regulares.

Na aplicação dos IRDI ausência dos indicadores aponta para problemas no desenvolvimento, ou seja, quando presentes os indicadores sugerem bom desenvolvimento.  Esse detalhe sobre o estilo de aplicação é fundamental, pois se há ausência de um dos indicadores sugere-se que algo não vai bem. E é dessa forma simples e prática que são analisados os resultados: algo não vai bem, portanto é necessária uma avaliação criteriosa.

Segundo a noção de desenvolvimento utilizada, “o valor do IRDI está em permitir a localização a tempo de problemas que uma vez detectados permitirão à criança um processo de desenvolvimento mais rico e criativo, com muito menos sofrimento.” (KUPFER et al, 2009)

Segundo os autores da pesquisa, um dos principais objetivos foi o de incluir os indicadores na ficha de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento do Ministério da Saúde e, atualmente eles encontram-se disponíveis para esse fim aos profissionais da área da saúde materno-infantil.

Acho importante trazer à tona a questão dos instrumentos de avaliação, pois, temos a fácil acesso na internet uma infinidade de protocolos que indicam a probabilidade deste ou daquele diagnóstico na presença de determinados itens e isso é muito sério, pois pode afetar de diferentes maneiras as famílias envolvidas e o processo terapêutico. Através do protocolo IRDI, familiares e leigos terão somente a cautelosa hipótese diagnóstica de que “algo não vai bem”, então, é hora de procurar um especialista.

 

Referência Bibliográfica

KUPFER, M.C. et al. Valor preditivo de indicadores clínicos de risco para o desenvolvimento infantil: um estudo a partir da teoria psicanalítica. Latin American Journal of Fundamental Psychopathology online. V. 6, n 1, p. 48-68, mai, 2009.

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